
SÃO PAULO — Em um movimento expressivo de consolidação no mercado de telecomunicações, a Claro anunciou a compra da provedora de fibra óptica Desktop. A aquisição tem como objetivo principal fortalecer e expandir a presença da operadora no fornecimento de banda larga no interior do estado de São Paulo, uma região estratégica e de alta demanda.
O negócio foi anunciado pelo valor total de R$ 4 bilhões, cifra que reflete o enterprise value (valor da firma) da operação. No entanto, a transação envolve uma engenharia financeira importante: desse montante, R$ 1,58 bilhão corresponde a dívidas da Desktop que serão integralmente assumidas pela Claro.
Na prática, o desembolso base da operadora será de aproximadamente R$ 2,4 bilhões, valor que garante o controle de 73% do capital social da provedora paulista.
A transação sela a saída da gestora de private equity HIG Capital do quadro acionário da Desktop, encerrando um ciclo de investimentos que impulsionou o crescimento regional da provedora nos últimos anos.
Para a Claro, a aquisição representa um salto significativo em sua base de usuários. Com a integração dos assinantes da Desktop, a gigante do setor passará a contabilizar quase 12 milhões de clientes em seu portfólio de internet fixa em todo o território nacional, isolando-se ainda mais na liderança do segmento.
Apesar do acordo firmado entre as partes, a operação não tem efeitos imediatos. O fechamento do negócio depende agora do aval de dois órgãos fundamentais:
Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica): Avaliará se a compra não fere a livre concorrência ou cria um monopólio prejudicial ao consumidor no interior paulista.
Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações): Analisará os impactos técnicos e regulatórios da fusão das bases e infraestruturas.
Após a aprovação das autoridades competentes e a conclusão dos trâmites legais, a expectativa é que a operação resulte no fechamento de capital (OPA) da Desktop na B3, retirando a empresa da bolsa de valores.
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