
Há algum tempo, observar o espectro político de direita em Hortolândia tornou-se um exercício de frustração para o seu próprio eleitorado. O que se vê não é um movimento consolidado, mas um arquipélago de vaidades. Temos a "direita do Fulano", a "direita do Ciclano", as alas A, B, C e D. Uma verdadeira guerra ideológica fratricida em que cada cacique luta ferozmente para abocanhar uma fatia daquele bolo eleitoral fermentado pelo fenômeno de 2018.
O problema? Enquanto brigam pelas fatias, esquecem-se de olhar para a padaria inteira.
A recusa em se unir revela uma miopia política severa. Existe um adversário político muito maior do que as divergências em grupos de WhatsApp: um grupo que detém o comando da cidade há décadas. E o cenário atual aponta, com fortes suspeitas e alta probabilidade, que eles sairão vitoriosos no próximo pleito mais uma vez.
A pergunta que a direita local parece incapaz de responder — ou de aceitar — é simples: por quê?
A resposta não está na falta de eleitores conservadores, mas na ausência de estratégia. O grupo que domina a prefeitura de Hortolândia não joga o jogo do purismo ideológico; eles jogam o xadrez do poder. Enquanto a direita se digladia em praça pública para provar quem é o "verdadeiro representante" da ideologia, o lado de lá trabalha em silêncio e em bloco.
Eles não brigam entre si. Todos remam na mesma direção, alinhados por um projeto de poder contínuo. A grande sacada da situação em Hortolândia é o pragmatismo absoluto: dentro do mesmo barco, abrigam a esquerda, o centro e, ironicamente, até partes da direita. Não há acepção de votos, não há cancelamento por pureza ideológica. O foco é a soma, enquanto a oposição insiste na divisão.
Na política, quem divide para governar costuma vencer, mas quem se divide para tentar chegar ao poder já entra derrotado. A direita de Hortolândia precisa decidir o que realmente quer. Se o objetivo for apenas garantir o título de "maior líder da oposição", continuarão exatamente onde estão: nos bastidores, brigando pelas migalhas.
No entanto, se o objetivo for, de fato, disputar o comando da cidade e oferecer uma alternância real de poder, a lição precisa ser aprendida com o próprio adversário. A vitória exige alianças, concessões, maturidade e, acima de tudo, a compreensão de que de nada adianta ser o dono da razão se você não tem a caneta na mão para mudar a realidade.
Até que essa ficha caia, a máquina pragmática que governa Hortolândia continuará assistindo, de camarote e com um sorriso no rosto, a direita se devorar.
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