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A Direita Dividida de Hortolândia: O Preço da Desunião Diante de uma Máquina Pragmática

Por que a guerra interna por uma “fatia do bolo” está pavimentando mais uma derrota para a oposição na cidade.

08/03/2026 às 15h14
Por: Carlos Viana
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A Direita Dividida de Hortolândia: O Preço da Desunião Diante de uma Máquina Pragmática

Há algum tempo, observar o espectro político de direita em Hortolândia tornou-se um exercício de frustração para o seu próprio eleitorado. O que se vê não é um movimento consolidado, mas um arquipélago de vaidades. Temos a "direita do Fulano", a "direita do Ciclano", as alas A, B, C e D. Uma verdadeira guerra ideológica fratricida em que cada cacique luta ferozmente para abocanhar uma fatia daquele bolo eleitoral fermentado pelo fenômeno de 2018.

O problema? Enquanto brigam pelas fatias, esquecem-se de olhar para a padaria inteira.

A recusa em se unir revela uma miopia política severa. Existe um adversário político muito maior do que as divergências em grupos de WhatsApp: um grupo que detém o comando da cidade há décadas. E o cenário atual aponta, com fortes suspeitas e alta probabilidade, que eles sairão vitoriosos no próximo pleito mais uma vez.

A pergunta que a direita local parece incapaz de responder — ou de aceitar — é simples: por quê?

A resposta não está na falta de eleitores conservadores, mas na ausência de estratégia. O grupo que domina a prefeitura de Hortolândia não joga o jogo do purismo ideológico; eles jogam o xadrez do poder. Enquanto a direita se digladia em praça pública para provar quem é o "verdadeiro representante" da ideologia, o lado de lá trabalha em silêncio e em bloco.

Eles não brigam entre si. Todos remam na mesma direção, alinhados por um projeto de poder contínuo. A grande sacada da situação em Hortolândia é o pragmatismo absoluto: dentro do mesmo barco, abrigam a esquerda, o centro e, ironicamente, até partes da direita. Não há acepção de votos, não há cancelamento por pureza ideológica. O foco é a soma, enquanto a oposição insiste na divisão.

Na política, quem divide para governar costuma vencer, mas quem se divide para tentar chegar ao poder já entra derrotado. A direita de Hortolândia precisa decidir o que realmente quer. Se o objetivo for apenas garantir o título de "maior líder da oposição", continuarão exatamente onde estão: nos bastidores, brigando pelas migalhas.

No entanto, se o objetivo for, de fato, disputar o comando da cidade e oferecer uma alternância real de poder, a lição precisa ser aprendida com o próprio adversário. A vitória exige alianças, concessões, maturidade e, acima de tudo, a compreensão de que de nada adianta ser o dono da razão se você não tem a caneta na mão para mudar a realidade.

Até que essa ficha caia, a máquina pragmática que governa Hortolândia continuará assistindo, de camarote e com um sorriso no rosto, a direita se devorar.

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Hortolândia é uma das cidades que mais crescem na Região Metropolitana de Campinas. Com população estimada em mais de 250 mil habitantes, o município se destaca pelo desenvolvimento econômico, pela presença de empresas de tecnologia e pela geração de empregos. Fundada em 1991, após emancipação de Sumaré, a cidade teve crescimento rápido nas últimas décadas.
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