
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (10) a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro encontra-se detido no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Como relator do processo que resultou na condenação, Moraes é o responsável por avaliar os pedidos de visita ao ex-mandatário.
Regime prisional mantido
Embora tenha autorizado o encontro, Moraes indeferiu o pedido da defesa de Bolsonaro para que a visita ocorresse em caráter excepcional na segunda-feira (16) ou terça-feira (17) da próxima semana. O ministro determinou que o encontro seja realizado na quarta-feira, 18 de março, das 8h às 10h, respeitando os dias habituais de visitação na unidade (quartas e sábados).
Em sua decisão, Moraes argumentou que não há previsão legal para alterar o dia de visitação para casos específicos. "Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário, no sentido de resguardar a organização administrativa e a segurança", afirmou o ministro.
Foi autorizada também a presença de um intérprete para acompanhar Beattie, desde que previamente informado às autoridades.
Quem é Darren Beattie e o contexto da visita
Darren Beattie é um político de extrema direita e figura influente na nova administração Trump. No site do Departamento de Estado dos EUA, ele é descrito como um "defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática".
A presença de Beattie no Brasil na próxima semana não se resume à visita à Papudinha. Segundo fontes ligadas ao governo norte-americano, ele deve participar de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, ainda na quarta-feira (18), após o encontro com Bolsonaro.
A agenda ocorre em um momento delicado das relações bilaterais. Os EUA discutem atualmente a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro teme que tal medida possa abrir precedente para intervenções estrangeiras no país.
Histórico de tensões
A relação entre o assessor de Trump e o ministro brasileiro é marcada por atritos públicos. Em meados de 2025, Beattie provocou um incidente diplomático ao classificar Moraes, em uma publicação na rede social X, como o "principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro". Na ocasião, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para prestar esclarecimentos.
A tensão escalou quando os EUA anunciaram sanções contra Alexandre de Moraes, acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão durante a condução dos inquéritos sobre a trama golpista de 2022. Após o anúncio das sanções, o deputado Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Beattie pelos esforços.
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