Audio
Ouvir esta noticia
Use o player para escutar a materia.
Paulo Figueiredo, amigo e conselheiro de Flávio Bolsonaro, comprou, em novembro de 2025, uma mansão de US$ 1,2 milhão, cerca de R$ 6,1 milhões, em Clermont, na Flórida, enquanto acumula um débito tributário de R$ 4,9 milhões inscrito na Dívida Ativa da União. O imóvel integra um conjunto de duas propriedades ligadas ao influenciador bolsonarista nos Estados Unidos, avaliadas em R$ 11,6 milhões.
A revelação é dos jornalistas Alice Maciel, do ICL Notícias, e Natalia Viana e Ken Silverstein, da Agência Pública. A reportagem publicada pela Agência Pública, em parceria com o ICL Notícias, cruzou registros imobiliários da Flórida e localizou duas propriedades ligadas a Paulo Figueiredo, avaliadas em R$ 11,6 milhões.
A Fórum já havia mostrado a dívida tributária de Paulo Figueiredo e sua atuação como conselheiro de Flávio Bolsonaro. Além das pendências com a União, o influenciador foi condenado pela CVM por operações fraudulentas relacionadas ao projeto de um hotel no Rio de Janeiro que chegou a operar com a marca de Donald Trump.
Além da mansão em Clermont, os jornalistas localizaram uma casa em Weston anunciada para venda, em junho de 2026, por US$ 1,09 milhão, aproximadamente R$ 5,5 milhões. Figueiredo afirmou que os dois imóveis são financiados e que, por isso, os valores integrais das propriedades não correspondem ao seu patrimônio.
Figueiredo também declarou que uma eventual publicação de informações falsas seria levada ao Judiciário dos Estados Unidos.
Paulo Figueiredo tem dois imóveis de R$ 11,6 milhões na Flórida
A casa de Weston estava registrada desde 2016 em nome da Olive-Fig Tree Real Properties LLC, empresa pertencente a Paulo Figueiredo. Documentos do estado da Flórida mostram que o imóvel foi transferido para o nome do influenciador em outubro de 2025.
Um mês depois, Figueiredo concluiu a compra da mansão em Clermont. A propriedade ocupa um terreno de 17,5 mil metros quadrados e possui 515 metros quadrados de área construída.
A residência tem dois andares, seis quartos, cinco banheiros, salas de estar e jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. A área externa inclui piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e casa na árvore.
Compra ocorreu após empresa alegar dificuldades financeiras
A aquisição foi concluída um mês depois de Figueiredo informar à Justiça americana que sua empresa, a International Treasure Group, enfrentava dificuldades financeiras e não tinha recursos para contratar um advogado.
A declaração foi apresentada em um processo de falência que tramita no Tribunal de Falências do Distrito de Connecticut. A ação busca recuperar transferências supostamente relacionadas ao esquema atribuído ao empresário chinês Miles Guo, também conhecido como Guo Wengui.
Segundo a defesa de Figueiredo, a International Treasure Group recebeu US$ 140 mil, cerca de R$ 670 mil, por serviços prestados à Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, durante o lançamento da rede social no Brasil. A plataforma foi fundada por Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump, e tinha Guo como financiador oculto.
Os responsáveis pelo processo de falência sustentam que o pagamento foi uma transferência fraudulenta destinada a dificultar ou atrasar a recuperação de recursos pelos credores. Figueiredo contesta essa versão e afirma que o dinheiro remunerou serviços efetivamente prestados à Gettr.
Em 30 de outubro de 2025, após tentativas frustradas de notificação, o tribunal proferiu sentença à revelia contra a International Treasure Group e fixou a condenação em US$ 140 mil, além de juros. Figueiredo recorreu, e o processo permanece em aberto.
Dívida de Paulo Figueiredo está inscrita na União
O débito de R$ 4,9 milhões corresponde a pendências tributárias federais inscritas na Dívida Ativa da União. A cobrança está relacionada a uma autuação decorrente da Operação Armadeira 2, que investigou um esquema de blindagem de empresas contra fiscalizações da Receita Federal.
Ao Estadão, Figueiredo afirmou que foi autuado indevidamente em 2020. Ele também argumentou que deixou de ser residente fiscal no Brasil por morar nos Estados Unidos.
Os valores divulgados sobre as punições da CVM exigem uma distinção. A decisão oficial da autarquia condenou Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, o influenciador, a duas multas que somam R$ 81,77 milhões.
O pai dele, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, recebeu outra multa de R$ 20,25 milhões. Somadas, as penalidades aplicadas a pai e filho chegam a R$ 102,02 milhões. Portanto, a punição individual imposta ao influenciador foi de R$ 81,77 milhões.
A CVM concluiu que Figueiredo Filho participou de operações fraudulentas relacionadas a desvios de recursos da LSH Barra e à sobrevalorização do patrimônio do fundo usado no projeto do hotel. O empreendimento, localizado no Rio de Janeiro, chegou a operar com a marca de Donald Trump.
Paulo Figueiredo responde a acusações no STF
Em 2024, durante uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, Figueiredo afirmou que havia ficado “desempregado” e enfrentava dificuldades financeiras após ser alvo do Supremo Tribunal Federal. Em entrevista concedida ao Metrópoles em agosto de 2025, disse ter gastado R$ 1 milhão no que chamou de “luta pela liberdade”, mas não informou o valor de seu patrimônio.
Em setembro de 2025, a Procuradoria-Geral da República denunciou Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. A acusação sustenta que os dois articularam sanções do governo americano contra o Brasil e ministros do STF para tentar interferir nos processos envolvendo Jair Bolsonaro.
A ação contra Figueiredo foi desmembrada e passou a tramitar separadamente. Ele também foi denunciado pela PGR por participação na trama golpista, mas a acusação ainda não havia sido analisada pelo Supremo diante das dificuldades para notificá-lo nos Estados Unidos. O ministro Alexandre de Moraes chegou a determinar sua notificação por carta rogatória.
Segundo a apuração, Figueiredo e Eduardo Bolsonaro viajaram ao menos seis vezes a Washington ao longo de 2025 para defender sanções contra autoridades brasileiras. A revista Piauí questionou Eduardo sobre o financiamento das viagens, mas ele não revelou quem pagava os deslocamentos.
Leia também
Mais notícias relacionadas
Eleições 2026
Lindbergh aciona PGR contra Flávio Bolsonaro por “vários crimes cometidos na convenção do PL”
26/07/2026 17:35
Eleições 2026
Líder da oposição argentina rebate ataques de Milei a Lula: “Vergonha”
26/07/2026 17:35
Eleições 2026
Caiado perde a linha durante convenção do PSD: “Kinder Ovo”
26/07/2026 16:30
Eleições 2026
Márcio França revela por que Bolsonaro escolheu Flávio e não Tarcísio como candidato, e surpreende
26/07/2026 14:25
Comunidade
Comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ainda não há comentários aprovados.