Eleições 2026

Bancada do Master: além de Flávio Bolsonaro, quem ainda não foi abatido pelo escândalo e segue na disputa

C

Por Carlos viana

21/07/2026 12:25 · 7 min de leitura

Bancada do Master: além de Flávio Bolsonaro, quem ainda não foi abatido pelo escândalo e segue na disputa
Foto: A bancada do Master - Fotomontagem feita com uso de Inteligência Artificial

Audio

Ouvir esta noticia

Use o player para escutar a materia.

A chamada Bancada do Master mantém ao menos 22 nomes na disputa eleitoral de 2026. A lista inclui o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidatos aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro por contatos telefônicos, pagamentos empresariais, doações eleitorais ou ações políticas relacionadas aos interesses do Banco Master.

O levantamento da Fórum ampliou o recorte publicado pelo Estadão nesta terça-feira (21). A apuração cruzou a “Vorcarosfera”, rede de relações políticas mapeada pelo jornal, com documentos legislativos, registros eleitorais, reportagens anteriores e a relação de 18 deputados e ex-deputados encontrada no celular comercial de Vorcaro.

PL, PP, Republicanos e União Brasil, partido criado pela fusão do DEM com o PSL, concentram a maior parte dos nomes. A relação também inclui políticos do PSDB e do PSD identificados no aparelho do banqueiro.

Os vínculos, porém, não têm o mesmo peso. Há casos envolvendo pedidos de dinheiro, pagamentos, operações financeiras e medidas legislativas. Em outros, existe apenas um número salvo na agenda de Vorcaro. O simples registro de um contato não demonstra conversa, favorecimento ou irregularidade.

Bancada do Master: Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e João Roma seguem nas majoritárias

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência: o senador entrou diretamente no Caso Master após a divulgação de um áudio em que pede recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio confirmou que se encontrou com o banqueiro depois da primeira prisão de Vorcaro, mas afirmou que a conversa serviu para encerrar a negociação. Ele nega ter oferecido qualquer contrapartida política.
  • Ciro Nogueira (PP-PI), pré-candidato à reeleição ao Senado: mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram Vorcaro chamando o senador de “grande amigo” e autorizando um suposto pagamento relacionado ao parlamentar. Ciro também apresentou uma proposta para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, medida que beneficiaria investidores de instituições como o Master em caso de liquidação. As suspeitas sobre pagamentos ainda são investigadas.
  • João Roma (PL-BA), pré-candidato ao Senado: o ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro foi convocado pela CPI do Crime Organizado para explicar decisões tomadas durante a implantação do crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. A Fórum mostrou que mudanças conduzidas por Roma e Hugo Motta ampliaram essa modalidade de empréstimo. O relator da CPI ressaltou que a convocação não representa acusação.
  • Arthur Lira (PP-AL), pré-candidato ao Senado: o ex-presidente da Câmara aparece na agenda comercial de Vorcaro. O registro era unilateral, o que significa que o número de Lira estava salvo no aparelho do banqueiro, mas o material conhecido não indica reciprocidade nem comprova troca de mensagens.
  • Guilherme Derrite (PP-SP), pré-candidato ao Senado: o ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo foi incluído pelo Estadão na rede política do caso por sua atuação em um projeto que, segundo o governo e parte do Congresso, reduziria poderes da Polícia Federal durante o avanço das investigações do Master. Derrite rejeita essa interpretação.
  • ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia: uma empresa de consultoria ligada ao ex-prefeito de Salvador recebeu R$ 5,4 milhões do Banco Master, segundo dados publicados pelo Estadão. A existência do contrato e dos pagamentos, isoladamente, não demonstra ilegalidade.
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição em São Paulo: Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, doou R$ 2 milhões para a campanha do governador em 2022. A doação foi declarada à Justiça Eleitoral e não constitui, por si só, indício de irregularidade.
  • Fábio Mitidieri (PSD), candidato à reeleição em Sergipe: o governador aparece entre os 18 políticos encontrados no telefone comercial de Vorcaro. Seu número estava registrado de forma unilateral e não há, no documento divulgado, indicação de mensagens trocadas.

Hugo Motta, Rueda e aliados de Vorcaro disputam a Câmara

  • Hugo Motta (Republicanos-PB), candidato à reeleição: o presidente da Câmara aparece na agenda de Vorcaro e pediu ao Banco Master a liberação de um empréstimo para uma empresa de sua cunhada. Motta afirma que a operação foi regular e nega ter associação financeira direta com a instituição.
  • Antonio Rueda (União Brasil), pré-candidato a deputado federal pelo Rio: o escritório de advocacia do presidente nacional do partido recebeu R$ 6,4 milhões do Banco Master. Rueda afirma que o dinheiro remunerou serviços jurídicos efetivamente prestados.
  • Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição: além de aparecer na agenda de Vorcaro, o deputado utilizou em 2022 um avião ligado ao banqueiro durante compromissos da campanha de Jair Bolsonaro. A existência do contato e o uso da aeronave não comprovam contrapartida política.
  • Filipe Barros (PL-PR), candidato à reeleição: o deputado apresentou o Projeto de Lei 4.395 de 2024, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos por CPF ou CNPJ. A proposta retomou na Câmara o núcleo da medida apresentada anteriormente por Ciro Nogueira.
  • Cláudio Cajado (PP-BA), candidato à reeleição: o deputado apresentou o requerimento de urgência para o PLP 39 de 2021, que amplia os mecanismos de fiscalização do Congresso sobre a diretoria do Banco Central. A movimentação ocorreu enquanto a autarquia analisava a tentativa de compra do Master pelo BRB.

Celular de Vorcaro reúne mais oito candidatos à reeleição

Além de Arthur Lira, Hugo Motta, Nikolas Ferreira e Fábio Mitidieri, outros oito políticos identificados no telefone comercial de Vorcaro permanecem na disputa. Apenas Marcelo Álvaro Antônio e Paulo Abi-Ackel aparecem como contatos recíprocos. Os demais eram registros unilaterais.

  • Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG): candidato à reeleição para deputado federal e um dos dois contatos classificados como recíprocos.
  • Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG): candidato à reeleição para deputado federal e o segundo contato recíproco encontrado no aparelho.
  • Diego Coronel (Republicanos-BA): candidato à reeleição para deputado federal. Ele estava no PSD quando seu nome foi registrado na relação divulgada.
  • Aguinaldo Ribeiro (PP-PB): candidato à reeleição para deputado federal.
  • Altineu Côrtes (PL-RJ): candidato à reeleição para deputado federal.
  • Doutor Luizinho (PP-RJ): candidato à reeleição para deputado federal.
  • Fausto Pinato (União Brasil-SP): candidato à reeleição para deputado federal. O parlamentar estava no PP quando seu contato foi divulgado.
  • João Carlos Bacelar (PL-BA): candidato à reeleição para deputado federal.
  • Márcio Marinho (Republicanos-BA): candidato à reeleição para deputado federal.

O relatório técnico não indica mensagens ou operações envolvendo esses parlamentares. A informação disponível é restrita à presença dos números na agenda comercial de Vorcaro.

Cláudio Castro e Ibaneis Rocha abandonaram o Senado

Cláudio Castro (PL) deixou a disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro em 28 de maio. O ex-governador foi alvo da Polícia Federal e é investigado pelos investimentos da Rioprevidência em títulos e fundos ligados ao Master. Castro nega irregularidades e afirmou que desistiu da candidatura para se concentrar em sua defesa.

Ibaneis Rocha (MDB) também está fora. O ex-governador do Distrito Federal abandonou a corrida ao Senado em 8 de julho, após o desgaste provocado pela tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Ibaneis não havia sido alvo de operação policial e declarou que decidiu deixar a disputa para cuidar da vida pessoal.

Davi Alcolumbre (União Brasil), outro nome recorrente na rede política de Vorcaro, não disputa a eleição de 2026 porque seu mandato de senador termina apenas em 2031. Jair Bolsonaro, beneficiado por uma doação de R$ 3 milhões de Fabiano Zettel em 2022, está inelegível.

Dos demais nomes encontrados no celular, Flávia Arruda, Rodrigo Maia, Lucas Gonzalez, Vinicius Poit e Bilac Pinto não tinham pré-candidaturas públicas confirmadas até o fechamento deste levantamento.

As candidaturas proporcionais ainda dependem das convenções e dos registros partidários. O período para a escolha oficial dos nomes começou em 20 de julho e termina em 5 de agosto, conforme o calendário das eleições de 2026.

12 visualizações

Compartilhe

Compartilhe esta notícia

Envie para suas redes sem sair da página.

Leia também

Mais notícias relacionadas

Comunidade

Comentários

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.

Escreva pelo menos 30 caracteres. 0/3000

Ainda não há comentários aprovados.

Aviso de cookies

Usamos cookies para melhorar sua experiência, medir audiência e manter recursos do portal funcionando corretamente.