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Coronel da PM de Tarcísio tinha grupo no WhatsApp com ‘companheiro’ do PCC

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Por Carlos viana

21/07/2026 15:30 · 6 min de leitura

Coronel da PM de Tarcísio tinha grupo no WhatsApp com ‘companheiro’ do PCC
Foto: Coronel da PM - Foto: Klaus Silva/TJSP

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O coronel da PM Luiz Carlos Pereira Martins, que ocupou postos estratégicos na Polícia Militar de São Paulo, integrava um grupo de WhatsApp com Cléber Azevedo dos Santos, operador financeiro acusado de lavar dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Batizado de “Aniversário general”, o grupo permaneceu ativo até pelo menos novembro de 2023.

Relatórios de polícia judiciária incorporados à investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descrevem uma “relação de amizade” entre Pereira Martins, Cléber e Robson Martins de Souza. Os dois últimos aparecem no centro da operação Janus, que revelou a citação de coronéis da PM em esquemas financeiros ligados ao PCC, deflagrada nesta terça-feira, 21 de julho.

O coronel não está entre os alvos dos 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Também não há, no material divulgado, registro de denúncia formal contra ele no procedimento. Seu nome aparece nas apurações sobre a rede de influência mantida pelos operadores investigados.

Luiz Carlos Pereira Martins manteve contato após operação

Segundo o Gaeco, a proximidade de Pereira Martins com Cléber teria continuado mesmo depois de o empresário se tornar alvo da operação Fractal, no fim de 2022. A investigação reuniu mensagens, fotografias e referências a encontros sociais entre os dois.

Uma das imagens anexadas ao relatório mostra o coronel ao lado de Cléber durante uma festa. Em outras conversas, os investigados falam sobre encontros, aniversários e contatos com integrantes de diferentes áreas do poder público.

Os promotores afirmam que Pereira Martins chegou a se colocar à disposição para ajudar o grupo e intermediar contatos políticos. O relatório não informa, porém, se alguma dessas tratativas resultou em providência concreta ou pagamento ao oficial.

Nas mensagens analisadas, Cléber é chamado de “companheiro” por interlocutores associados ao PCC. A expressão que aparece no título desta matéria reproduz a forma como ele era tratado nos diálogos investigados, não uma declaração atribuída ao coronel.

Coronel da PM comandou policiamento da Grande São Paulo

A trajetória funcional de Luiz Carlos Pereira Martins mostra que ele não era um oficial periférico na estrutura da corporação. Registros públicos indicam que o coronel comandou o Policiamento de Área Metropolitana 7, responsável por Guarulhos e municípios da região, e depois assumiu o Comando de Policiamento Metropolitano, responsável pela Grande São Paulo.

Em 2017, Pereira Martins também assumiu a Diretoria de Ensino e Cultura da PM, unidade responsável pela formação, especialização e aperfeiçoamento dos policiais militares. Uma publicação da Assembleia Legislativa de São Paulo o identifica naquele ano como diretor do setor.

Antes disso, o oficial atuou como assessor da Secretaria da Segurança Pública e foi designado como autoridade responsável pelo Serviço de Informação ao Cidadão da Polícia Militar. O registro consta de publicação oficial do governo paulista de 2016.

Atualmente, Pereira Martins aparece na direção da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AOPM), onde acumula as diretorias de Colônias e de Patrimônio, de acordo com a página institucional da entidade.

Mensagem menciona dinheiro para “pagar a polícia”

O material da operação Janus também contém uma mensagem enviada por Cléber a Amjad Ahmad, outro suspeito de atuar como operador financeiro da facção. No diálogo de abril de 2022, Cléber pede recursos e afirma que precisava “pagar a polícia”.

A transcrição não atribui o pedido a Pereira Martins nem esclarece quem receberia o dinheiro mencionado. O trecho integra, contudo, o conjunto de elementos usados pelo Ministério Público para descrever as relações mantidas pelos operadores com agentes e autoridades públicas.

Os investigadores localizaram ainda uma planilha de dezembro de 2019 com o registro de R$ 1 mil associado a um coronel identificado apenas como “Patrício”. O oficial era classificado como “cliente”, termo que, segundo o relatório, indicava a entrada de dinheiro em espécie no esquema.

Além de Pereira Martins e “Patrício”, a investigação cita José Augusto Coutinho, que comandou a Rota e foi nomeado comandante-geral da Polícia Militar por Tarcísio de Freitas em maio de 2025. Os três coronéis não são alvos dos mandados da operação Janus.

Operação Janus mira banco clandestino do PCC

A operação investiga um grupo acusado de funcionar como uma espécie de banco clandestino para o crime organizado. O núcleo receberia grandes quantias em dinheiro vivo e faria transferências por contas próprias ou de empresas para ocultar a origem dos recursos.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões por investigado. A ação contou com apoio da Polícia Militar, apesar de os relatórios citarem oficiais que ocuparam posições de comando na própria corporação.

Entre os principais investigados estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, conhecido como “Paulo Barão”. O grupo também teria prestado serviços financeiros a Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como liderança do PCC e preso em agosto de 2024.

A atuação não se restringiria à movimentação de dinheiro. Áudios reunidos no inquérito registram mais de uma hora de uma reunião destinada a resolver uma disputa sobre um imóvel avaliado em R$ 2 milhões na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Para o Gaeco, o episódio mostra que os operadores também recorriam a integrantes da facção para conduzir “tribunais do crime” em conflitos patrimoniais.

As referências aos coronéis serão analisadas no curso do inquérito. Até o momento, os documentos divulgados apontam relações pessoais e acesso a integrantes do alto escalão da PM, mas não registram prisão, denúncia ou imputação formal contra Luiz Carlos Pereira Martins na operação Janus.

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