Eleições 2026

Eduardo Cunha tenta censurar Rogério Correia após denúncia sobre rede de rádios e emendas sem mandato

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Por Carlos viana

20/07/2026 11:40 · 6 min de leitura

Eduardo Cunha tenta censurar Rogério Correia após denúncia sobre rede de rádios e emendas sem mandato
Foto: Eduardo Cunha ao anunciar entrevista com Flávio Bolsonaro em uma de suas rádios em MG - Foto: Reprodução/X

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Eduardo Cunha (Republicanos) recorreu à Justiça para tentar retirar do ar uma denúncia feita pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) sobre a expansão de uma rede de emissoras de rádio em Minas Gerais e a suposta influência do ex-presidente da Câmara na destinação de emendas parlamentares, mesmo sem exercer mandato.

A ofensiva judicial ocorreu depois que Correia protocolou, na última terça-feira (14), uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral de Minas Gerais para que seja investigada a possível prática de abuso de poder econômico e político e de uso indevido dos meios de comunicação.

Cunha, que não ocupa cargo parlamentar desde 2016, já declarou que pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026.

Segundo Rogério Correia, a ação buscava obrigá-lo a apagar o vídeo em que apresentou as denúncias e ainda previa a aplicação de uma multa. O pedido liminar, porém, foi rejeitado pela Justiça.

“Ele queria que eu tirasse do ar a denúncia que fiz em vídeo e que me desse uma multa. O juiz disse que, de fato, eu não fiz nada de errado, a não ser expressar a minha opinião”, afirmou Correia em um novo vídeo publicado nesta segunda-feira (20) no X.

Na legenda, o deputado resumiu sua reação: “NÃO VÃO ME CALAR!”

“Podem tentar me intimidar com processos. Não vão conseguir. Quem recorre ao silêncio forçado é porque teme a força da verdade”, escreveu.

Veja o vídeo:

https://x.com/RogerioCorreia_/status/2079156505006240149

Denúncia envolve rádios e planos eleitorais em MG

A representação apresentada por Rogério Correia sustenta que Eduardo Cunha estaria formando, em um curto espaço de tempo, uma ampla rede de emissoras de rádio em diferentes regiões de Minas Gerais.

Segundo o documento, estações teriam sido assumidas em Uberaba, Além Paraíba, Carangola, Raul Soares, Guarani, João Pinheiro e Belo Horizonte.

As emissoras estariam registradas em nome de Daniel Cardoso Sá, genro de Eduardo Cunha e marido da deputada federal Dani Cunha (União-RJ).

Para Correia, a rápida expansão da estrutura de comunicação precisa ser investigada diante da intenção declarada de Cunha de concorrer novamente à Câmara dos Deputados.

“Ele está enchendo de rádio aqui em Minas Gerais para aumentar o seu poder econômico e ser candidato a deputado federal”, afirmou o parlamentar no vídeo.

A representação pede a abertura de um procedimento investigatório para apurar se a rede pode estar sendo utilizada para favorecer eleitoralmente Cunha e seus aliados.

Um dos episódios citados é a veiculação de uma entrevista exclusiva com o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem que o mesmo espaço tivesse sido oferecido a outros nomes que pretendem disputar o Palácio do Planalto.

Para Correia, a combinação entre a formação de uma rede de rádios, a exposição privilegiada de aliados e a influência atribuída a Cunha sobre recursos públicos pode representar uma vantagem indevida nas eleições de 2026.

“O uso de uma estrutura empresarial de comunicação recém-formada, o direcionamento de recursos públicos sem mandato e a aproximação estratégica com lideranças religiosas e políticas revela um projeto eleitoral construído à margem da igualdade de condições entre os candidatos”, afirmou o deputado ao apresentar a denúncia.

“Cabe à Justiça Eleitoral apurar esses fatos antes que provoquem dano irreparável ao processo democrático em Minas Gerais”, acrescentou.

Flávio Dino revelou atuação de Cunha sobre emendas

A denúncia de Rogério Correia também menciona a atuação atribuída a Eduardo Cunha na destinação de emendas parlamentares para as cidades mineiras onde mantém rádios, apesar de o ex-presidente da Câmara estar sem mandato desde 2016.

No dia 6 de julho, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões de Cunha por suspeita de desvio de emendas. A decisão foi tornada pública no domingo seguinte, dia 12.

A medida atendeu a uma representação da Polícia Federal no âmbito da Operação Transparência. Segundo a investigação, Cunha teria continuado a influenciar a destinação de recursos públicos com o auxílio de uma servidora da Câmara dos Deputados.

A PF identificou ao menos 21 emendas, que somam R$ 6,15 milhões, já empenhadas e pagas. De acordo com trecho reproduzido na decisão de Dino, os documentos teriam sido produzidos para “escamotear o verdadeiro solicitante da indicação”.

As suspeitas surgiram após a análise do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara que foi alvo de uma operação da Polícia Federal.

As conversas encontradas no aparelho revelaram negociações sobre o envio e o remanejamento de emendas parlamentares.

Para a PF, havia um “arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas”, no qual Cunha, mesmo sem mandato, aparecia como um agente relevante na definição dos beneficiários dos recursos.

A investigação afirmou ainda que o ex-deputado atuava como um “agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício”, interferindo na destinação de verbas federais sem autorização institucional.

“Não vão me parar de dizer a verdade”

No vídeo publicado nesta segunda-feira, Rogério Correia afirmou que ações judiciais não impedirão que ele continue denunciando Eduardo Cunha.

“Não adianta fazer denúncia contra mim. Não vai me parar de dizer a verdade”, declarou.

O petista também mencionou outra ação movida contra ele, desta vez relacionada a Flávio Bolsonaro. Segundo Correia, o senador reclamou de declarações feitas pelo deputado sobre a compra de uma mansão.

Correia afirmou que a Justiça também recusou o pedido liminar nesse caso e disse que pretende divulgar documentos sobre o assunto.

“Nesses dois casos, a Justiça não concedeu liminar a eles, e eu permaneço fazendo essas denúncias e vou provar cada uma delas”, concluiu.

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