Eleições 2026

Na falta de Bolsonaro, Milei se reúne com Tarcísio

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Por Carlos viana

20/07/2026 14:40 · 4 min de leitura

Na falta de Bolsonaro, Milei se reúne com Tarcísio
Foto: - Javier Milei - Foto: SAUL LOEB / AFP

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O presidente da Argentina, Javier Milei, desembarca no Brasil na sexta-feira (24) para uma agenda inteiramente construída dentro do campo da direita brasileira: neste sábado (25), se reúne com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes, e depois participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL), na Arena Livre Pacaembu, em São Paulo, que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Vale lembrar que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu Milei de fazer palanque eleitoral com Jair Bolsonaro, ao proibir a visita do argentino ao ex-presidente condenado, detido em prisão domiciliar.

O governo federal brasileiro não foi comunicado oficialmente da visita, e não há qualquer previsão de encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também foi convidado por Tarcísio para participar do encontro com o argentino, segundo confirmação do próprio prefeito.

Milei chega acompanhado de uma delegação de peso: sua irmã Karina Milei, secretária-geral da Presidência da Argentina; o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno; e o subsecretário de Assuntos Presidenciais, Darío Lucas. A comitiva foi comunicada pelo governo argentino às autoridades paulistas.

Durante a visita, Tarcísio tem previsto condecorar Milei com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria do estado de São Paulo, a mesma medalha concedida a Karina Milei em 2024, quando a secretária-geral esteve no Palácio dos Bandeirantes.

A concessão da honraria máxima do estado a um chefe de governo estrangeiro em visita de cunho declaradamente político-partidário não é um gesto protocolar neutro: é um endosso institucional explícito.

Após o encontro com Tarcísio, Milei seguirá para a Arena Livre Pacaembu, onde o PL realizará a convenção que oficializa Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.

Alinhamento ideológico

A presença de Milei no Brasil não surgiu de uma agenda diplomática bilateral. Em entrevista a uma rádio argentina no dia 10 de julho, o presidente confirmou a viagem com objetivos claros: participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

“No dia 25, viajo para o Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, e vou”, declarou na ocasião.

A visita a Jair Bolsonaro, no entanto, foi bloqueada. Em 18 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou o pedido e suspendeu todas as visitas sociais ao ex-presidente por 30 dias, após a leitura pública de uma carta escrita por Bolsonaro por seu filho Flávio ser enquadrada como descumprimento de medida cautelar que proíbe o ex-presidente de se comunicar politicamente, inclusive por intermédio de terceiros.

O governo federal brasileiro não foi informado oficialmente da vinda de Milei. Embora a comunicação não seja juridicamente obrigatória, sua ausência contraria a praxe diplomática esperada entre países com relações estabelecidas.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou não ter recebido comunicação formal. Não há previsão de encontro entre Milei e Lula: a relação entre os dois líderes é marcada por divergências públicas e reiteradas, e o único contato direto entre eles ocorreu brevemente durante a Cúpula do G20, em novembro de 2024, no Rio de Janeiro.

Repercussões e a “onda azul” na América do Sul

Para a campanha de Flávio Bolsonaro, a presença de Milei na convenção é lida como reforço simbólico e político da chamada “onda azul”: o movimento que articula lideranças de direita na América do Sul em torno da ideia de uma virada conservadora no continente.

A visita ao Brasil é apenas o primeiro passo de uma agenda regional. Após São Paulo, Milei deve participar das posses de Keiko Fujimori, no Peru, em 28 de julho, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, em 7 de agosto, todos de direita e ambos sucedendo governos de esquerda.

Há, ainda, expectativa de que o presidente chileno José Antonio Kast compareça à própria convenção do PL. A articulação é deliberada: Milei já havia recebido Flávio Bolsonaro na residência oficial argentina, a Quinta de Olivos, no fim de junho, e publicou nas redes sociais a frase “Está vindo a ‘maré azul’ para o Brasil, pelas mãos de Flávio Bolsonaro”.

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