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Horas após o presidente Lula desafiar o conluio do governo Donald Trump com o clã Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma dobradinha com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que divulgou nas redes um dossiê produzido pelo governo Donald Trump para embasar a narrativa da ultradireita de que “o regime cubano tem sido o principal patrocinador do esquerdismo radical e do terceiromundismo nos Estados Unidos”.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2079512574756827600
O documento “CUBA: The Capital of 21st Century Communism”, no entanto, cita apenas superficialmente o Brasil no capítulo II, intitulado “Birth of a New Left” (Nascimento da Nova Esquerda, em tradução livre), que lista países e organizações participantes da conferência realizada em Havana em 1966 do “Comitê Nacional para a Conferência de Solidariedade aos Povos da África, Ásia e América Latina”.
No Capítulo V (“Revolutionary Tourism”), a nota de rodapé nº 13 menciona o revolucionário brasileiro Carlos Marighella como fundador de um grupo militante comunista no Brasil e autor do Minimanual da Guerrilha Urbana, destacando a influência desse manual sobre outros grupos ao redor do mundo, mas sem abordar financiamento direto ao Brasil.
“Carlos Marighella foi o fundador de um grupo militante comunista que realizou uma série de ataques terroristas, assassinatos, execuções e sequestros de grande repercussão em todo o Brasil — incluindo o sequestro dos embaixadores da Alemanha Ocidental e dos EUA em 1969 e 1970, respectivamente. O Minimanual de Marighella teve uma grande influência sobre vários grupos terroristas marxista-leninistas e defendia uma abordagem maximamente violenta para a revolução”, diz o texto.
Derrotar todos
Nesta segunda-feira (20), Lula afirmou, em discurso, que não teme uma eventual participação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na campanha de Flávio Bolsonaro.
O presidente acrescentou que seu grupo político derrotará qualquer tentativa de influência externa “em nome da defesa da democracia”. A fala ocorre em um cenário de crescente tensão entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump, especialmente após a imposição de novas tarifas a produtos do Brasil.
Durante o discurso, Lula também voltou a mencionar brasileiros que procuram autoridades dos Estados Unidos para defender sanções contra o próprio país.
“Hoje temos não um, mas vários traidores que vão aos EUA pedir para os EUA impor punição ao Brasil”, afirmou.
O presidente disse ainda que o Brasil permitirá a presença de observadores estrangeiros nas eleições, mas não aceitará interferência de outros governos no processo político nacional.
As declarações ocorrem pouco mais de um mês depois de Flávio Bolsonaro apresentar uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra Lula. O senador pediu que o presidente seja investigado por suposta ameaça e incitação ao crime após uma fala sobre punições históricas aplicadas a “traidores da pátria”.
Ao retomar o tema, Lula afirmou que a eleição de 2026 será decisiva para impedir o retorno do que classificou como negacionismo e fascismo ao governo.
“Nós não temos o direito de perder essas eleições”, disse.
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