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A Comissão Executiva Estadual do Republicanos aprovou por unanimidade, na última sexta-feira (18), o nome do ex-governador Anthony Garotinho como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro para as eleições de 2026. A decisão, baseada em pesquisa eleitoral encomendada pelo partido, será ratificada em convenção estadual prevista para o sábado (25). A escolha ocorre após o ministro Cristiano Zanin, do STF, anular em março a condenação que tornava Garotinho inelegível, e em meio a declarações polêmicas do ex-governador sobre um suposto vídeo da chamada “Noite das Astronautas”.
Republicanos escolhe Garotinho para o governo do RJ
A Comissão Executiva Estadual do Republicanos aprovou por unanimidade o nome de Anthony Garotinho como pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. A decisão foi tomada em reunião realizada na sexta-feira (18) e ainda precisa ser ratificada na convenção estadual da legenda, prevista para o próximo sábado (25).
A escolha de Garotinho ocorreu após debates internos e a análise de uma pesquisa eleitoral encomendada pelo partido. Os números colocavam o ex-governador com 8% das intenções de voto em abril, tecnicamente empatado em segundo lugar com Douglas Ruas, que marcava 9%. Na convenção, o Republicanos também definirá as candidaturas da sigla aos demais cargos em disputa, incluindo o lançamento do deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella ao Senado.
Trajetória política e elegibilidade
Garotinho acumula mais de quatro décadas de trajetória na política fluminense. Foi prefeito de Campos dos Goytacazes por dois mandatos, governador do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002 e deputado federal. Em 2002, disputou a Presidência da República pelo PSB e terminou em terceiro lugar, com cerca de 15 milhões de votos. Ao deixar o governo estadual para concorrer ao Planalto, abriu caminho para que sua mulher, Rosinha Garotinho, ocupasse o Palácio Guanabara entre 2003 e 2006.
Será a quarta vez que Garotinho tentará o governo do Rio. Concorreu em 1994, sendo derrotado por Marcello Alencar; em 1998, foi eleito pelo PDT; em 2014, ficou em terceiro lugar; e em 2018, teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral. O obstáculo desta vez foi removido em março, quando o ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação imposta a Garotinho no âmbito da Operação Chequinho, que o acusava de compra de votos nas eleições municipais de 2016 em troca do benefício social do programa Cheque Cidadão. Segundo Zanin, a condenação foi baseada em provas consideradas ilícitas pelo Supremo, obtidas a partir da extração de dados de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes. Com a anulação, Garotinho voltou a ser elegível.
O tabuleiro político do Rio e o Centrão
A decisão do Republicanos de lançar Garotinho amplia o número de partidos do Centrão que não embarcaram na candidatura de Douglas Ruas ao Palácio Guanabara. No domingo anterior ao anúncio, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, do PP, desistiu de ser o vice na chapa do PL estadual. O movimento sinaliza uma fragmentação crescente no campo político fluminense, com siglas do centro buscando alternativas próprias à candidatura apoiada pelo PL.
Internamente, Garotinho venceu a disputa com o ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português, que também desejava concorrer ao governo. Para embasar a escolha, o partido encomendou pesquisa qualitativa e quantitativa ao Instituto PreFab Future. O presidente do Republicanos no Rio, Luis Carlos Gomes, defendeu o posicionamento da sigla: “O Republicanos sairá ainda maior dessa disputa no Rio de Janeiro. Estamos trabalhando muito para que nosso posicionamento de defesa inconteste dos fluminenses se espalhe por todo o estado”, afirmou. Garotinho, por sua vez, havia negado anteriormente a possibilidade de concorrer a deputado federal, afirmando que tentaria o governo após verificar seu desempenho em pesquisas, e se apresentando como “independente”, sem alinhamento ao PT ou ao PL do Rio.
O vídeo da “Noite das Astronautas”
Nos meses que antecederam a oficialização de sua candidatura, Garotinho investiu em participações em podcasts e cortes de vídeo nas redes sociais, afirmando possuir informações sigilosas sobre investigações da Polícia Federal envolvendo políticos fluminenses e nacionais. A estratégia rendeu visibilidade, mas também trouxe declarações de alto risco político e jurídico.
Na noite de 16 de junho, durante evento político em Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Garotinho afirmou possuir um vídeo de 12 minutos da suposta “Noite das Astronautas”, festa atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, realizada em Trancoso, na Bahia. Segundo o ex-governador, as imagens mostrariam “deputados, senadores, governadores e homens que defendem a família”. Ao ser perguntado diretamente sobre a presença do ex-governador Cláudio Castro nas gravações, Garotinho respondeu: “Cláudio Castro está lá”.
A justificativa para não divulgar o material, segundo Garotinho, é que o vídeo estaria sob sigilo no STF. O ex-governador disse ainda acreditar que as imagens foram inicialmente armazenadas no celular de Vorcaro, apreendidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao Supremo, mas deixou claro que essa sequência é uma dedução pessoal. A afirmação ganhou repercussão adicional quando foi repostada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em meio a conflito aberto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O próprio Garotinho, no entanto, afirmou que o senador não aparece nas imagens que diz ter acessado.
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