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Convenção de Flávio Bolsonaro tem bandeira dos EUA e tótens de Michelle

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Por Carlos viana

25/07/2026 12:00 · 4 min de leitura

Convenção de Flávio Bolsonaro tem bandeira dos EUA e tótens de Michelle
Foto: - Imagens da convenção do PL/Fotos: Lavor Jr.

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O Partido Liberal (PL) oficializa neste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República durante convenção nacional realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento é marcado pela utilização de símbolos ligados aos Estados Unidos, pela presença de lideranças políticas nacionais e internacionais e por uma estratégia para manter a imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em evidência, apesar de sua ausência.

Embora não tenha participado presencialmente, Michelle Bolsonaro está representada por totens em tamanho real espalhados pelo local. Os painéis permitiram que apoiadores registrassem fotografias ao lado da ex-primeira-dama e foram instalados poucos dias após ela e Flávio anunciarem publicamente uma trégua nas redes sociais. A iniciativa é uma tentativa insólita do partido de reforçar a presença de Michelle na campanha e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e evangélico.

Bandeiras dos EUA

Outro aspecto que chamou atenção foi a presença de referências aos Estados Unidos durante a convenção. Além das tradicionais bandeiras do Brasil, apoiadores exibiam bandeiras norte-americanas e um participante circulou pelo evento caracterizado como uma versão brasileira do personagem “Tio Sam”. A ambientação refletiu a aproximação política recente de Flávio Bolsonaro com o governo do presidente norte-americano Donald Trump.

A convenção também reuniu aliados políticos. Entre os convidados está prevista a presenã do presidente da Argentina, Javier Milei, que viajou a São Paulo para declarar apoio ao senador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participa do ato.

Isolamento

O lançamento ocorre em meio a um cenário de profundo isolamento político, marcado pelo racha com o Centrão, pela ausência de um candidato a vice-presidente e pelo avanço de frentes de investigação da Polícia Federal (PF) autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O desembarque do Centrão e as falhas de articulação

A solidão do PL nas urnas reflete o desembarque em massa de antigos aliados. Siglas de peso do Centrão que sustentaram a base bolsonarista em 2022 decidiram adotar a neutralidade formal no primeiro turno. É o caso da federação formada por Progressistas (PP) — liderado por Ciro Nogueira — e União Brasil. Outras legendas importantes, como o Republicanos e o Podemos, seguem a mesma diretriz de distanciamento.

Nos bastidores, parlamentares e caciques políticos rotulam a condução da pré-campanha liderada por Flávio Bolsonaro e pelo senador Rogério Marinho como uma “tragédia política”. Integrantes do Centrão apontam que Flávio falhou em demonstrar solidariedade pública quando líderes dessas legendas foram alvo de operações policiais recentes. A insistência do clã em centralizar o poder e os recursos do fundo eleitoral minou a construção de pontes em palanques estaduais estratégicos, privando o candidato de valiosos minutos de propaganda em rádio e TV.

Cerco judicial

A largada da candidatura ocorre sob a sombra de investigações criminais. A Polícia Federal apura o vazamento de mensagens eletrônicas que indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado um repasse financeiro de aproximadamente R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os recursos teriam como destino o financiamento do documentário Dark Horse, focado na trajetória de Jair Bolsonaro. O senador rechaça as suspeitas, alegando que se tratou de uma busca regular por patrocínio lícito.

Em outra frente, investigadores mapeiam pagamentos de até R$ 500 mil efetuados à banca de advocacia do senador por empresas suspeitas de emitir notas fiscais falsas.

Urnas eletrônicas novamente

A crise jurídica ganhou novos contornos após o próprio candidato reeditar a estratégia que levou à inelegibilidade de seu pai. Em um encontro recente com diplomatas estrangeiros, Flávio atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas, associando as urnas eletrônicas à empresa venezuelana Smartmatic. O episódio gerou duras reações de ministros do STF e de opositores, que enxergaram no ato uma afronta direta às instituições e um complicador jurídico precoce para a sua campanha.

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