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A crise política entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou uma dimensão que vai além da disputa familiar e do tabuleiro eleitoral. A equipe responsável pela segurança da ex-primeira-dama reforçou o esquema de proteção a ela diante do aumento do risco de hostilidades físicas, possível repercussão do agravamento dos ataques virtuais que se intensificaram com o rompimento público entre os dois.
Segundo pessoas envolvidas no planejamento da segurança ouvidas pelo jornal O Globo, a decisão de reformular os protocolos foi tomada após meses de monitoramento da escalada de ofensas nas redes sociais. Entre as medidas adotadas estão o aumento do efetivo de proteção, a revisão dos protocolos operacionais e das estratégias utilizadas em deslocamentos e eventos públicos.
A avaliação da equipe é que os ataques contra Michelle deixaram de ser episódios isolados para tomarem forma de uma campanha recorrente, alimentada por perfis dedicados a concentrar publicações ofensivas. O principal temor é o chamado “efeito copycat”, quando a repetição sistemática de agressões acaba estimulando novas manifestações semelhantes, inclusive fora do ambiente virtual.
O histórico recente de violência política no Brasil, segundo os interlocutores, obriga que qualquer aumento de hostilidade seja tratado de forma preventiva, mesmo na ausência de ameaça concreta e específica.
Entrevista de Flávio Bolsonaro
Dentro desse contexto que a entrevista concedida por Flávio Bolsonaro nesta semana acendeu um alerta entre os responsáveis pela segurança.
Ao comentar as rusgas com Michelle, o senador usou uma palavra que repercutiu nas redes sociais. “Não assisti ao vídeo dela, sinceramente. Vi o teor e preferi nem assistir para não me influenciar. Ninguém esperava isso, não tem lógica, não tem jogo político”, afirmou. “Não tem muita lógica… Ainda mais ela sendo a esposa do meu pai, que eu sempre respeitei. Porque, se não fosse, certamente, eu acho que não teria chegado nesse ponto, a gente teria estancado antes.”
A avaliação é que expressões como “estancar”, independentemente da intenção de quem as usa, podem ser apropriadas por pessoas radicalizadas e funcionar como gatilho para novos episódios de violência.
O rompimento entre Michelle e Flávio se aprofundou após a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo enteado. Ali, descreveu o episódio em que ela e o senador divergiram sobre aliança com chapa de Ciro Gomes na eleição do Ceará.
“Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, disse. “Ele [Flávio] disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, declarou.
Desde então, o volume de ataques dirigidos a ela nas redes cresceu de forma significativa. Michelle Bolsonaro não comentou as informações ao jornal O Globo.
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