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Juliana Soares, agredida com 61 socos pelo então namorado dentro de um elevador em Natal em julho do ano passado, anunciou sua pré-candidatura a deputada estadual pelo PT nas eleições de outubro.
A decisão foi impulsionada pelo apelo de mulheres que a procuraram após a repercussão do caso, pedindo que ela usasse sua experiência de sobrevivente para mudar leis. O agressor, Igor Eduardo Cabral, ex-atleta, está preso, virou réu e será julgado por júri popular.
O anúncio da candidatura
Juliana Soares formalizou hoje sua entrada na disputa eleitoral ao anunciar a pré-candidatura a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores nas eleições de outubro.
A agressão que a tornou conhecida no país deixou marcas físicas profundas: ela sofreu fraturas no nariz, no maxilar, nos ossos da bochecha, na mandíbula e na órbita ocular, e precisou passar por cirurgias de reconstrução facial para recuperar os movimentos do rosto.
O responsável pelas agressões, Igor Eduardo Cabral, ex-atleta, está preso desde o episódio. Ele virou réu e aguarda julgamento por júri popular, o que indica que a Justiça reconheceu indícios suficientes para levá-lo a julgamento pelo crime.
Da violência ao ativismo: a jornada de Juliana Soares
Desde que sobreviveu à tentativa de feminicídio, Juliana se tornou ativista na luta contra a violência às mulheres, passando a dar palestras e receber homenagens.
A repercussão do caso a colocou em contato com uma realidade que ela descreve como avassaladora. “Recebi inúmeros pedidos de ajuda de mulheres que sofreram algo parecido, às vezes até pior do que eu sofri. Senti muito esse apelo”, disse ao UOL.
Foi esse apelo que a levou à decisão de se candidatar. “Muitas das mulheres me pediram, me incentivaram que eu me candidatasse para que pudesse fazer alguma coisa de fato por elas; para que eu, com o meu olhar de sobrevivente, pudesse promover leis que ajudassem elas a seguirem suas vidas”, relatou, também ao UOL.
A escolha pelo PT, segundo ela, reflete uma convicção de longa data. Juliana afirmou ao UOL que sempre foi de esquerda e que acredita no poder das políticas públicas para transformar vidas.
Ataques online e a importância da denúncia
O anúncio da pré-candidatura intensificou uma rotina de hostilidade que Juliana já enfrentava nas redes sociais por seu posicionamento político.
Segundo apuração do UOL, ela passou a receber centenas de comentários ofensivos desde que se identificou publicamente como pessoa de esquerda. Na postagem em que anunciou a candidatura, os ataques voltaram com força.
Um dos comentários registrados pelo UOL diz: “Coitada, além de burra ainda é cega. A peia [pisa] que ela levou acabou com o cérebro ainda.”
“Isso é muito preocupante porque nós vivemos em um país democrático. As pessoas podem discordar da minha posição política, mas isso não lhes dá o direito de me atacar pela mulher que eu sou, pela história que eu tenho, por causa da posição política que eu defendo. Nós precisamos ter nossa posição respeitada, e isso é o mínimo”, disse Juliana ao UOL.
Em caso de violência contra a mulher, denuncie: ligue 190 para a polícia, 180 para a Central de Atendimento à Mulher ou acione o Disque 100, canal de direitos humanos.
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